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sábado, 18 de junho de 2011

Bambu e o vento

Bambu e o vento
Pastor Marlins Ramos


Certo homem, um fazendeiro muito rico, estava em seu luxuoso quarto de enormes janelas, de onde através de uma delas podia contemplar um vasto bambuzal e confabulava consigo mesmo, ao perceber que um vento impetuoso, naquela tarde, sacudia os bambus de um lado para o outro, fazendo-os, como num balé fantástico, tocar o solo várias vezes. Dizia ele em seus pensamentos que apesar da resistência daqueles enormes bambus, ele era mais forte, pois quando adquiriu aquelas terras, mandou derrubar os arvoredos em redor, e muitas árvores muito mais fortes que as do bambuzal.

Esse bambuzal que podia observar de sua extraordinária mansão, estava em terras vizinhas, mas isso não o impedia de utilizar aqueles bambus para a sua plantação de hortaliças. Mas quando o pequeno agricultor, proprietário daquelas terras resolveu plantar próximo das terras do rico fazendeiro, a reação não foi nada cordial, não foi a mesma do pequeno agricultor que não se incomodava das freqüentes retiradas de bambus em sua propriedade.

O fazendeiro rico se voltou contra o pequeno agricultor, e ainda numa atitude de egocentrismo, bateu no peito e bradou:

-Tudo isso é meu, eu sou o homem mais rico dessa província, inclusive tenho poder para destruir tudo que está ao redor das minhas terras! Ele então, que não cabia em si de tanto egoísmo, arquitetou um plano cruel. Planejou arrancar os bambus do terreno vizinho e plantá-los em sua propriedade, e depois, na calada da noite, impiedosamente, incendiar o bambuzal, e assim tudo estaria acabado. E assim ele fez.

Certa noite quente de verão, levou com ele um de seus homens de confiança para pôr em prática seu malfadado plano. Quando o pequeno agricultor tomou conhecimento do que iriam fazer, defendeu-se:

-Patrão, nunca negamos em lhe servir os bambus, por que destruir o bambuzal, se ele também lhe é para seu proveito? O fazendeiro rico explodiu em uma barulhenta gargalhada, debochando do pobre homem:

-Acaso não aprendeste que sou o homem mais rico desta província? Já apanhei bastante bambu, o suficiente para usar por um bom tempo até que as mudas que plantei nas margens do rio estejam crescidas, para que eu possa delas tirar proveito.

Então, seguindo as ordens do fazendeiro, atearam fogo ao bambuzal que ardeu em chamas e crepitava de tal maneira que parecia gemer diante de tanta maldade. As labaredas foram motivo de orgulho para o rico fazendeiro que se retirou às gargalhadas. Mas, a natureza também tem suas artimanhas, pois ao sair o fazendeiro escorregou em restos de bambus que estavam espalhados pelo terreno e feriu-se com um pedaço deles. No dia seguinte, amanheceu muito mal, mas falou consigo mesmo:

-Vai passar. Não precisarei gastar com médicos, nem remédios, é coisa à toa... Contudo, sua previsão falhou, porque foi piorando cada vez mais. Até que, dias depois, no meio da noite, não suportou o sofrimento e resolveu pedir que o levassem ao hospital. Mas, para seu infortúnio, naquela mesma noite, chovia muito e os rios transbordaram causando grandes enchentes, fazendo estourar as represas, de tal maneira que ficaram ilhados, e tiveram que esperar as águas baixarem, para levá-lo ao hospital. Devida a essa demora, foi inevitável amputar uma de suas pernas, e a doença afetou os seus movimentos, impedindo-o de andar.

Voltou para casa vociferando, em cadeira de rodas... Passado certo tempo, agora já recuperado da amputação, dirigiu-se até à janela e passou a observar a paisagem através da vidraça. Mesmo tendo passado por tanto sofrimento, seu coração continuava de pedra, e sentiu-se muito orgulhoso ao ver mais adiante, o espaço vazio da paisagem, cujo solo coberto de cinzas dava testemunho da destruição ocorrida dias atrás. Soltou uma gargalhada, bateu no peito e bradou:

-Ninguém pega mais bambu neste lugar, agora só eu os tenho em minha propriedade!

Um dia mandou um de seus empregados verificar como ia sua plantação de bambu. E para sua grande decepção, a enchente havia arrastado os bambus que cresciam. Então indignado, soltou um grito e imediatamente foi olhar pela janela, e não acreditando no que seus olhos viam, conseguiu perceber um broto de bambu que ressurgia do velho bambuzal, acariciado por um vento suave.

Não suportou a cena do cair da tarde. Deu um gemido de dor, e morreu, consumido pela gangrena da carne, e muito pior, pela gangrena da alma.

Para meditação leia: Jó, cap. 20, vers. 15 a 26 I João, cap. 2, vers. 15 a 17.

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